terça-feira, junho 12, 2007

Mais um post incompleto - estou - com preguiça - mas vou reclamar como sempre, chata pra caralho, vai tomar no tóba


Até que pra um viciado, ele tinha uma cara bonitinha, hoje só o pó.




Cristiane F., ontem e hoje. Ela jura que só chupava, tá, tá, sei.



Passei praticamente o final de semana lendo a bibliografia de Kurt Cobain, porra! 400 e poucas páginas, tá pior que Senhor dos Anéis! Também havia baixado outro livro que estava louca pra ler, mas com o qual me decepcionei no primeiro capítulo : Cristiane F., drogada e prostituída. Estou numa fase séria, de me dedicar a algo que apesar de chatíssimo, vai me garantir um futuro, uma remuneração mensal constante, e é assim a vida né? O salariozinho bonitinho todo final de mês, contas para pagar, na maioria contas de manutenção da existência (telefone, água, luz, etc.), dar uma força pros pais, aliás tem uma dívida feita em meu nome em prol da família, claro que eu sou uma boa filha, não dou lucro nenhum, mas não dou despesas graves, quer coisa melhor que isso? Sim, arrume um emprego e faça sua vida! – gritou minha consciência.

Bem, não li com afinco todo o livro (o do Cobain) porque a certa altura eu estava entediada de assimilar descrições de problemas estomacais e drogas. A parte de não famoso foi que mais me impressionou, sobretudo a infância. Nossa! Posso dizer que perto da minha a dele foi perfeita!! Meus pais (ou melhor, meu pai) nunca tinham dinheiro suficiente ou tempo ou paciência mesmo pra passear com a família, acho que desde pequenos eu percebia, e creio que não era só eu, que nós éramos um peso, uma razão deles se sacrificarem justamente para um dia darmos lucro. Decepcionamos o velho, aliás todos os filhos do velho o decepcionaram (ele é quase 15 anos mais velho que minha mãe e já tinha uns 4 filhos de outros relacionamentos), porque nenhum deles deu bons lucros, até os mais formidáveis, o que deve agredi-lo de certa forma em seu orgulho. Somos a típica família reclusa, refém da televisão, sacas? Somos um saco. Anti-sociáveis e cheios de razão. Temos a “sorte” de ter vizinhos que sempre invadem nosso espaço com suas paranóias piores que a nossa. Acho que somos o tipo de pessoa com a qual os revoltadinhos/moderninhos/baladeiros resolvem tirar uma e pegar pra Cristo.

Sim, e onde quero parar com isso? Vamos por partes, eu também gostei da parte infância do livro Cristiane F. nenhum dos dois eram pobres, classe média, razoáveis, pagando as contas e se distraindo um pouco da existência sem rumo. São tão parecidos comigo, com a gente, até a parte sórdida, se bem que o nível do paciente problemático da família está razoável, o fundo do poço está longe, o que não evita a taquicardia da minha mãe e a cara de “lá vem merda” que meu pai faz toda vez que a namorada-babá-mãe do meu irmão liga aqui pra casa. E o homem desanda a fazer discursos morais sobre o problema como se isso resolvesse algo, revoltado com seu filho safado e fraco, porque não puxou ao pai?! Tenho pena dos ouvidos da minha mãe, ela faz ouvido de mercador, mas tem uma hora que não dá para fingir que o orador neurótico não existe. Lembro de uma vez, eu tava comendo um doce cujo sabor eu nem sentia porque meus ouvidos resolveram ser alugados por este sujeito, claro, sempre cheio de razões, criticando e se tomando como parâmetro do que é correto, bom e justo, ah, me poupe! Sem nada falar, me levantei e fui deixar o pires na pia, demorei até ver se ele parava. Pra quê? Emputecido ele praguejava a família toda, como sua vida era uma desgraça, que ele não se iludia conosco não! Esbravejava : “Eu não to enganado nessa porra, aqui ninguém morre de amores por mim” (por que será?), e arrematou seu discurso brilhante com “Antes que eu me esqueça, fodam-se! Fodam-se! Ou foi “Vão a puta que pariu”? Ah! Como é difícil se fazer de surda, me sinto tão humilhada de ter tanto medo! Me odeio mais do que odeio ele. Gostaria de pegar minha mãe e deixarmos ele, pararmos com esta merda de fingimento de família perfeita e trabalhadora, estou de saco cheio!

Mas como eu dissera, eu sou muito sensível à infância, fico comovida demais, lembro da minha. Adorava animais, ainda gosto bastante, tenho 3 cães que são a parte boa de estar em casa, são os nossos terapeutas. Freud disse que é na infância que nossa personalidade é traçada e os anos seguintes apenas serviriam para consolidar e aprimorar o que já está pronto. Que droga, queria ser outra pessoa, agora é tarde. Estou no meu refúgio : no quarto, de portas trancadas e fones nos ouvidos, divertido não? Está tocando Shakira + Beyoncè, “Beautiful Liar”, música sexy, combina comigo, uma mentirosa bonita, eu gosto, sou uma eclética. Apesar de curtir o power trio do rock, eu canso de ouvir uma mesma coisa, acho que musicalmente só não suporto pagode e rap. Eu sou o tipo de pessoa que consome sonhos e ilusões e que briga consigo mesma o tempo todo pra prestar atenção em coisas mais concretas, estas sempre me fogem.

Outra coisa muito humana é a contradição. Seja de quem for a bibliografia. Famoso ou não. Um anônimo qualquer como eu. A gente nunca segue um discurso muito convergente. Kurt não gostava de ser famoso e perseguia o estrelato. Não cheguei a reparar nas contradições da Cristiane, mas talvez seja esta que me veio à mente agora: ter uma família unida e feliz, e, no entanto, ela se distanciava mais por causa das drogas. Os dois vieram de famílias divorciadas – o divórcio, por si mesmo, não é algo ruim, é saudável quando envolve pessoas equilibradas – a minha ainda está aqui, os dois estão muito bem insatisfeitos consigo mesmos e a necessidade e o costume os une, haverá amor? Não sei, acredito que não, e que nunca houve. Esta é a vida real, casais apaixonados e amando-se é mais comum nas novelas da Globo, amar deve ser difícil, poucos conseguem. Melhor adotar a tática do “eu não estou vendo nada, problema? Que problema?” E seguir a vida, isto tem nos mantido de pé todos os dias. Amor não paga as contas. Não pense no tanto que é infeliz, e não o será, só isso. Aliás meus pais parecem mais como sócios de um negócio do que um casal, mesmo quando no seu círculo social ele tem que demonstrar algum afeto pela minha mãe, ele enfatiza o quanto ela é “boa companheira” (serão do partido comunista?), nada da famosa e tão batida frase “a mulher que eu mo, mãe dos meus filhos, razão de minha vida”, minha mãe nunca deve ter ouvido isso, a não ser quando ele tentou levá-la para cama pela primeira vez (apenas meras suposições). E é recíproco, se bem que eu já sei que ela não o ama, se apaixonou e depois se acostumou, desiludida. Aliás, a gente tem um problema com a palavra amor, a usamos pouco, eu tinha vergonha quando criança de chegar e dizer : eu te amo pai, te amo mãe. Se bem que um dia eu escrevi um cartão do dia dos pais bem amoroso (aqueles trabalhinhos de escola, lembra?), fiquei até surpresa quando o encontrei anos depois, será que ele leu? Acho que sim, mas não lembro de ter entregue em mãos. Com minha mãe eu tinha mais liberdade, sempre fomos mais carinhosos com ela e mais desobedientes também, o que a obrigava a chamar o pai pra vir nos dar umas porradas. Mas de vir falar assim, eu te amo, pra ela, com certa freqüência, só de uns 5 anos pra cá, acho que em parte é carência mesmo, estou sem namorado oficial vai fazer uns 3 anos. Ninguém mais diz que me ama, apesar de eu pensar, que tem alguém que me falaria isso com um tom sincero, mas isso não me tornaria menos só, apenas mais um engano.

E apesar de tudo isso não temos um Kurt Cobain ou uma Cristiane F. na família. Apenas seres entediados e infelizes, nada insuportável. Só latente e crônico. A televisão e a vida alheia nos distrai da nossa. Ao meu redor, sinto que são poucas as pessoas que buscam a verdadeira felicidade, muitos se contentam com o que têm e querem só mais um pouquinho (geralmente se referem a grana ou trabalho melhor, o que dá no mesmo), nada muito extravagante.

(continua ... ou não ...)

Obs.: Odeio de ser um ser reclamão, acho que isso fede, mas, nem sempre somos o que gostamos de ser, não sou sempre assim, eu juro.

2 comentários:

get down disse...

olá lud...
puta! vlw pela visita e pelos comentarios ae...a idéia meio popzinha do blog é mesmo pra sacanear saca! hehehe...

olha só...vc gosta mesmo de escrever hein...mas esses lances de família são sempre assim...acho que kurt teve realmente uma vida foda perto das nossas...meu pai é muito loko e isso ajuda muito em nossa relação...mas ele sempre reclama de barriga cheia...

querida...visite sempre lá hein...

bjOo

get down disse...

olá lud...
puta! vlw pela visita e pelos comentarios ae...a idéia meio popzinha do blog é mesmo pra sacanear saca! hehehe...

olha só...vc gosta mesmo de escrever hein...mas esses lances de família são sempre assim...acho que kurt teve realmente uma vida foda perto das nossas...meu pai é muito loko e isso ajuda muito em nossa relação...mas ele sempre reclama de barriga cheia...

querida...visite sempre lá hein...

bjOo