domingo, junho 11, 2006

Coisas Diárias

Sabe, quase sempre utilizo a literatura, o cinema, a televisão, enfim, alguma coisa que seja imitação da vida, para poder viver melhor. Como um professor de filosofia cinéfilo dizia: cinema é a maneira mais segura de você viver, tu tá ali sentadão na confortável poltrona – reclinável, melhor ainda) - vivendo situações que poderiam ocorrer com você, na maior ou na mais improvável das hipóteses. Eu, neste caso, gosto de ver emoções fortes, nada dessas porras de ficção científica – a não ser que ela traga algo mais além de explosões, “V de vingança” se saiu bem nesse quesito – gosto de filmes dramáticos, drama, me lembra trauma, me lembra certos pensamentos e sentimentos que eu tento contornar, mas que não dá.

Ainda agora eu estava muito pessimista, muito mesmo, escrevi um texto inspirada no fel emocional que estava provando, mas, há muito tempo comprei um livro sobre otimismo, não é nenhuma obra-prima é um pocketbook da Martin Claret, chama-se “A essência do otimismo”, tem a capa bastante bonita, uma pintura de Renoir “Os guarda-chuvas”, tem no centro uma moça de olhar distante, e eu faço esse olhar às vezes, nem charme é, é porque costumo me alhear da realidade quando ela me incomoda, não é raro eu me impor essa redoma espiritual.

Pois bem, vida mais ou menos, sem grandes percalços, quando há novidade, e quando há ela não é das melhores, mas deixa pra lá. É bom sentir emoções fortes de vez em quando, contanto que não envolvam vitimização, faz se sentir vivo e que há algo mais quente nessa nossa existência. Gosto de dramas e de comédias também, de humor negro e de sacanagem então, muito boas!

Sabe, de vez em quando me bate uma enjoada dessa vida, um enjôo mesmo, tem horas que não suporto ouvir a voz de meus familiares, nem ver minha cara, me alheio mais uma vez, vou pro meu quarto, ligo o ventilador barulhento pra não ouvi-lo comentando a novela, deito na minha cama e miro pro teto, como se ele fosse infinito. Há muito tempo não arrumo minha cama, quando vejo o lençol esticado sei que foi minha mãe, me sinto cuidada, confortável. Mãe é uma coisa! Sempre pensando em todo mundo menos nelas mesmas! Será só instinto de ver sua prole ir adiante? Será vontade de se ver eternizada nos seus descendentes? SERÁ AMOR DESCOMPROMISSADO? Eu sou mulher, mas não sei o que é ser isto, por vezes tenho raiva de ser mulher nesse mundo que ainda nos oprime disfarçadamente. As mães e suas novas receitas! Preocupadas com o vinco das golas dos maridos, não exigindo orgasmos de outro mundo, apegadas aos sentimentos que julgam serem titulares. Pobres ou abençoadas mães?! Tenho medo de ser mãe, já passei uns sustinhos, graças a Deus, nada! Não teria saco pra criar um filho sozinha – é o que provavelmente aconteceria se eu tivesse emprenhado – quero um marido amante, que seja minha mãe e mãe de nossos filhos, sem receios nem brochadas se, por acaso, eu ganhasse mais do que ele. Homens!

E já estamos no meio do ano! Porra! Tempo, ele não espera ninguém, e justo uma enrrolona como eu, sempre acha que o tempo sobra, e que se angustia quando tem que tomar uma decisão pra antes de ontem e não fez nada até agora! Ou eu sofro de burrice crônica ou angústia paralisante. Sempre estudando eternamente o próximo passo. Qual passo devo dar?

Quero encontrar a cura pra minha vida mais ou menos, de cor cinza-cocô, ou que ela piore de uma vez e me faça digna de um drama – claro que comigo renascendo ao final tal como a fênix, ou que ela melhore e vire o paraíso na terra, meu paraíso.

Nenhum comentário: