É na família que começamos nossa formação, aprendemos o que é amor (quando temos sorte), ódios, disputas, intrigas, discórdias, carinhos, etc, etc, o que, ao final, eu poderia denominar de desenvolvimento do espírito de sobrevivência humano. Hum...mas por que estou falando disso? Observações, só observações, colhidas sem muito esforço do meu próprio nicho familiar, o que por si só, já bastaria um romance recheado de contradições. Explico melhor: somos quatro, numa mesma casa, uma casa grande, porém não o suficiente para que consigamos viver confortavelmente na presença uns dos outros, sabe, como de praxe, nos amamos, até por extinto de conservação e para pertencer a algum grupo familiar, ok, vou deixar de ser “cientista” e assumir nos amamos sim! E com a mesma força que nos odiamos. O meu grupo tem um “costa prateada” que apesar de toda a evolução feminina (em boa parte teórica) age como se estivesse no século retrasado, torcendo o nariz pra essas mulheres que se preocupam mais em atingir um orgasmo do que constituir famílias, ele pensa “elas querem trabalhar? Ok. Elas querem trepar? Ah bando de vagabundas!”, também há uma fêmea, reinando, pelo que se sabe, sozinha, administradora competente do lar, com preguiça mental suficiente pra não tentar alçar novos ares que por ventura lhe permitiriam a realização de alguns desejos de consumo e de vida, frustrada, porém digna. E os dois filhinhos superprotegidos e inábeis: a filhinha primogênita, intelectual principiante, carente por atenção e afeto, que desenvolve às escondidas alguns potenciais interessantes, mas o pai lhe julga uma (quase) completa retardada; e o filho mais novo, anti-social, de comportamento contraditório, por vezes carinhoso e infantil, por outras agressivo e alheio a tudo e todos e, inconscientemente, um manipulador. Bem, estamos apresentados, vamos nos deter neste último, que é o que interessa, e o que vai dar razão pro meu título.
Mais novo desde a adolescência, como todo macho jovem costuma fazer, começou a desafiar a autoridade do costa prateada, ao que era severamente punido, o que o fez crescer dentro de si um ódio profundo por seus genitores, dele, por ser um ditador familiar, dela, por nunca protegê-lo suficientemente contra a fúria paterna, e assim fomos crescendo, acrescentando-se que apesar das costumeiras disputas e intrigas com sua irmã, estas sempre foram superficiais o suficiente para não abafar o amor. Nos momentos de colisão, ambas sempre se punham em defesa do mais jovem, mesmo sob graves ameaças físicas ou morais.
Há alguns meses, depois de mais uma colisão, mais jovem decide ir embora, a aderência à bebidas e maconha o fizeram mais corajoso e impertinente perante o costa prateada, e o melhor, para que ambos não se matassem, foi a saída estratégica daquele. Desde então, há um espaço vazio na casa, mas longe de ter tornado o espaço maior e o ar mais leve. Tudo parecia bem, ou talvez até já estivesse, ainda agora, há cinco minutos. Vá se saber, depende do ponto de vista. Mais jovem aprendeu rápido que para ter a atenção do costa prateada basta se fazer de besta e de vítima da vida, mesmo longe do nicho, manipula seus genitores, constrói monstros que o atormentam – que, na verdade, são mais vítimas sua - e se aproveita da distância e das habituais neuroses paternas para ter a tão desejada atenção, que sempre estivera voltada pra ele, enquanto ainda residente entre nós, só que à época, isso o fazia odiar pai e mãe, mais e mais.
Eis, que um belo dia, uma amiga do mais jovem resolve tornar-se sua namorada, não será fácil para ela ter o ok dos complicados, neuróticos, preconceituosos e superprotetores pais dele. É recebida com muita educação e gentileza, alguns dias depois a máscara caiu, ela se tornara velha, feia e sem dinheiro, antes a coisa era assim: “ela não é tão bonita, mas é uma boa pessoa, ela é mais velha que ele, mas tudo bem, ela não tem dinheiro, mas é trabalhadora”. Acho que tenho que agradecer a minha família por me mostrar tão bem como é o espírito humano! Aprendi com seus exemplos: Lud, nunca confie num sorriso amigável!
Eu procuro ser imparcial nas coisas que vejo e também nas coisas que faço, aprendi nos livros que a imparcialidade é amiga da justiça, só que a vida tem me mostrado que esta anda em extinção, mas mesmo assim eu insisto, é o tal desejo de ser reconhecida, quem sabe como uma grande intelectual, anos após minha morte? Hum...quem sabe! Talvez porque a justiça tenha se tornado meu Deus. Provavelmente.
Embora isto possa me colocar em cima do muro, não defendo ardorosamente aqueles que partilham comigo a carga genética, consigo enxergar seus defeitos, provavelmente até os aumente porque também herdei a neurose, hum, mas ao contrário deles, me simpatizei, embora pouco, mas sinceramente, pela nova-ex-namorada do meu irmão, se tivesse mais coragem a aconselharia a ficar longe dele, não tentar ser mãe dele, se encarregando de ajudá-lo a resolver os próprios problemas, espero que ela caia em si, e veja com quem está lidando. Ela julgou erradamente ser amiga de nossos pais, se fudeu, agora ela é odiada, e tudo por causa do problemático, meu irmãozinho, ele tem que ser tratado com beijos e porrada, foi sempre assim. Compreensão? Psicologia? Querida, ele não sabe o que é isso! Não se meta no que não sabe! E para a preservação de sua integridade física e espiritual (será que ela tem? Achei-a obcecada por ele), mantenha-se, uma boa amiga, apenas isso, e se conseguir!
Bom, mas isso é a minha visão imparcial das coisas!
Vamos a visão parcial, cheia de bairrismo desta adorável família: Há uma crise conjugal no casal, ela se assusta com as agressões do mais jovem, que a ameaça de infligir força física, a expulsa do apartamento onde moram, ela vagueia pelas ruas desde as 4 da madrugada de sábado até a manhã de domingo. Ao telefone, a mãe comenta com ela sobre os “problemas do filhote”, pois quer avisá-la do provável perigo que corre, e pede sigilo, mas isso não é possível, pois é enforcada pelo mais jovem para contar o teor da conversa. Mais jovem dá o fora, vai morar em outro lugar (qualquer um, menos a casa de origem), ela ainda o ajuda a se mudar e quer permanecer sua amiga! (Estou começando a achar que ela é louca!).
E depois de tudo isso, ouço dos meus pais a pecha de que esta pobre coitada é uma vagabunda! (Se fosse doida e masoquista eu concordaria!) Que não merece confiança, porque comentou com o “pobrezinho” que sabia de seu “segredo”! E tudo porque ela é mais velha, não tem dinheiro e tão pouco é uma musa da beleza!
E assim eu aprendo com minha família o que há de mais importante para se aprender no mundo: o que importa é a aparência, o resto é o resto!
E podem rasgar os livrinhos com histórias de amores eternos! Os belos amam, os feios, quando castos, sofrem, e quando gaiatos, fodem. E assim é a história da humanidade.
Mas sabe o que mais me assusta? Eles têm razão. Só sabe disso quem tentou ser bom com os outros.
Leitura obrigatória entes de dormir: O príncipe, de Nicolau Maquiavel ( ou Nicolai Machiavelli para os íntimos)
obs.: Na verdade, as pessoas só vêem o que conseguem.
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