terça-feira, agosto 08, 2006

Meu filho, minha porra

Monólogos do Esperma" leva ao palco sensibilidade masculina


Por Paul Majendie

EDIMBURGO (Reuters) - Algumas clínicas de doação de esperma convidam os doadores a deixar uma mensagem para que seus filhos ainda não nascidos ouçam quando chegarem aos 18 anos. O que dizem essas mensagens?

Essa foi a pergunta que inspirou "The Sperm Monologues" (Os Monólogos do Esperma), uma peça intrigante que está sendo apresentada no Festival de Arte Fringe de Edimburgo. A história fala sobre as motivações que levam os doadores a deixar essas cápsulas do tempo em vídeo.

O processo foi explicado por James Farrell, diretor e co-autor da peça.

"Não se trata de algo obrigatório. No Reino Unido as mensagens costumam ser escritas, e não gravadas em vídeo. Mas hoje essa prática é mais comum nos Estados Unidos", disse ele à Reuters.

"Enviamos e-mails a nossos amigos indagando o que eles poderiam dizer se estivessem nessa situação, e foi assim que tivemos a idéia da peça".

Embora o título remeta à peça de sucesso "Monólogos da Vagina", de Eve Ensler, Farrell explicou: "'Monólogos da Vagina' diz respeito à libertação feminina -- este é meu corpo, esta sou eu. 'Monólogos do Esperma' não é sobre a libertação dos homens, mas queremos afirmar que temos sentimentos e queremos ser notados".

David Mildon, um dos três atores que representam o desfile de pais que gravam suas mensagens, comentou: "As coisas estão mudando muito rapidamente. O homem britânico tem a reserva tradicional inglesa, mas também quer mostrar seus sentimentos".

A peça também trata da questão conturbada do anonimato e de como uma legislação nova desencoraja as doações de esperma num país em que estimados 1.000 bebês por ano nascem dessas doações.

Desde o ano passado, qualquer doador de esperma precisa estar preparado para ser identificado no caso de filhos futuros quiserem encontrá-lo.

Alguns doadores doam esperma pelo dinheiro, outros por acharem a situação divertida ou, ainda, como ato de ousadia. Mas os protagonistas da peça trazem à tona um espectro muito amplo de motivações.

Um professor de filosofia divorciado pergunta em sua mensagem: "O que pesa mais é a natureza ou a criação? Venha me encontrar. Sou um ser humano perdido, como você, como todos".

Outro doador explica o que a levou a querer ter um filho: "Sou gay, então eu não poderia fazer isso de maneira natural. Sim, eu sei que é um pouco estranho me assumir diante de meu filho antes mesmo de ele nascer".

Um terceiro homem, que se aproxima dos 30 anos, acaba de trocar de emprego quando descobriu que tinha uma doença mortal.

"Tenho seis meses de vida, então quero deixar um legado no mundo, e você é esse legado. Meu conselho a você é o seguinte: não perca um segundo da vida".



Eu já iria desligar o blog, mas não pude deixar em branco notícia tão interessante.

De qualquer forma, como mulher, eu acho deveras interessante essa coisa que os homens passam de ter filhos sem saber que tiveram, poderia traçar um paralelo de incrível mau gosto à situação de alguém que desfila diante de uma população, todo prosa e só ao final alguém lhe diz que ele está cagado, foda não? Isso sem contar as possibilidades surreais de manter relações sexuais futuras com os próprios filhos,coisas da vida, eu é que não fico pelada na frente do meu pai. Você fica?

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