Sabe, eu gostaria de escrever bem, escrever de verdade, tenho tanta coisa entalada na garganta,
e nada, sempre nada. Num de meus sonhos artísticos me vejo grande escritora, reconhecida, maldita,
tudo balela, tudo palhaçada de uma mente besta!
Nem ler muito e com qualidade faço. Ouço falar de muitas coisas
boas, Burroughs, Kerouac, Baudelaire, Agatha Cristie, etc,etc, todos ecos presentes na minha memória,
ou melhor, recortes, fragmentos e miscelêneas de um e de outro, vagas impressões obtidas após
rápidas e ansiosas leituras, nem sei se tenho cultura de verdade, seja ela popular, ou erudita, ou ainda, meio termo. Não sei.
Até a audácia de pensar que uma vida monótona pode servir de combustível para algo mais criativo
parece falir diante do quase óbvio. Talvez porque existam paralelos, daí a ilusão.
Muito talvez, muito quase, muita mente:
paralelamente, virgulamente, vagamente, praticamente e toda sorte de palavras que possam
ser premiadas com tal terminação, horrível! Horrível!
Vômitos espirituais nem sempre dão certo. Mais uma frase mais ou menos!
Um..respirar bem fundo...tentativa número dois:
Acho que vou fazer que nem Humbert Humbert (lá vem eu de novo com essa mania estúpida de me referir
a personagens de livros que adoro só por causa da resenha), o negócio dele é Lolita, Lolita o tempo todo, ninfitas,
muitas ninfitas; ao contrário do perturbado personagem de Nabokov a minha inquietude não é com relação ao prazer,
e sim, com o desprazer, com a
insatisfação e quase ojeriza que me causa um certo sujeito, em minha vida: meu pai. Por vezes, não sei se mais o amo ou o odeio,
ou se o odeio porque ele acha que sou uma idiota que não pensa, daí, por este motivo, ele me ama. Situação complicada, não?
A grande questão é que não consigo ser eu mesma na presença dele, sempre tenho que bancar a estúpida ou retardada
pra ganhar atenção e carinho, ele me vê como uma assexuada acerebrada, e minha conduta às vistas acaba por consolidar isso.
Não sei se posso culpá-lo pela quase bancarrota em que vive diariamente esta família,
que só não vai pro bejo porque todos os envolvidos são covardes demais pra tomar
outro rumo e ir embora. Nem sei se me aguentaria ser eu mesma, de manhã, de tarde e de noite. Por vezes, acho que sou uma
idiota acerebrada também. Morro de medo dele, nem sei que medo é esse, acredito que, lá no fundo, ele poderia até nos matar.
Quando está puto, sobretudo com meu irmão, ameaça verdadeiras tragédias, espumando de raiva, vejo sua cara nestes momentos e
lá não está alguém que atende pelo nome de pai, e sim, um satanás, vagabundo, qualquer, digno de exorcismo. Fico triste por isso.
Tenho vontade de matá-lo, mas não ódio e desprezo suficiente para isso.
terça-feira, dezembro 06, 2005
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